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Category: Literature

escrever

Escrever era em tempos de adolescência o meu ato mais comum de desabafo mas rapidamente se tornou a minha prisão. Ficava cada vez mais ansioso porque a minha necessidade de deitar angústia era tão visceral que não me dei a nenhuma minunciosidade ou um pingo de consistência do que metia nos cadernos. No 12º gastei facilmente uns 4 ou 5 muitas vezes a escrever o que me vinha à cabeça em tempo real, ou para me manter acordado por conta de fadiga ou cansaço extremo. Foram poucas as frases ou criações com pano para mangas que consegui tirar dali. 

O Charles Bukowski por exemplo acreditava que a escrita tinha de sair disparada que nem um fogetão do teu corpo, senão não valia a pena. Discordo dele hoje em dia mas nesses tempos até me ia relacionar se o conhecesse.

Hoje em dia é diferente. Tenho escrito, por trabalho, por lazer, e por desabafo até novamente, mas desta vez o desabafo não é uma moleta como em jovem tão cega e desesperadamente procurava. Não fico aliviado quando deixo as minhas palavras cravadas. Muitas vezes a nossa existência é genuinamente mais do que o suficiente. As palavras ali despejadas são minhas sim, mas não são colocadas na folha para serem deixadas ir , é mais para lhes dar um lar para permanecer e um dia quando me sentir perdido talvez possa lá vistar e receber alguma luz ou a simples companhia do que em tempos deixei para mim ou para quem precisasse. 

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