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Category: Literature

O Ambulante de Corubus

Só um poema que escrevi :P
(P.S.: ele é super longo :dizzy:)


O Ambulante de Corubus

Na cidade de Corubus
não existem estrelas.
Só um tela cinzenta
de um artista de quinta
os cigarros queimando lent
os               

a esperança mais sucinta         
Olhos cansados me olham de volta     
Na superfície gelada de uma poça
     Em meio aos tons mortos da cidade                       
          As doces cores de uma melodia
                puxam minhas pernas, como em uma coleira

Trapos
Anil-carmim, verde-ouro, púrpura-índigo
compõem uma figura
saída da mais decadente fantasia de Shakespeare
Fios de lua na cabeça
Que um dia já foi de outra cor
"Bem vindo bom senhor!
Já o esperava antes de saber quem sou!"
O velho e sua mochila cantarolam
dançando numa sinfonia de Íris
"Venha! Venha ver! De todas as formas que se pode crer
Azuis como o mar
Verdes vindos da mata
Castanhos de ébano
E cinzas como o luar!
Leve um! Leve dois pelo preço de um!
Leve três pelo preço de quatro!
Prometo que não se arrependerá,
nem mesmo por um passo!
Pois lhe digo caro senhor
que mesmo um desses tesouros
vale mais que o dobro do ouro!
Pois carregam consigo algo
que homem algum jamais pôde comprar:
Memórias!"
Os tesouros reluziam
uma cacofonia de emoções
Parecia até que ainda podiam me ver
E o deprimente pavão continuou sua canção:

"Os verdes são vivazes
Os azuis são serenos
Castanhos, de bondade
E cinzentos, de sabedoria"
Quanto mais cacarejava
Mais distante sua voz soava
Pois por trás de todo o brilho falso
É que o verdadeiro tesouro se escondia:

Dourados, âmbar, cor de mel
contradiziam a triste fantasia em ruínas

"Agradeço a gentileza,
mas não quero nenhum desses
Quanto quer pelo par
que se esconde em minha frente?"
A melodia falhou
    Uma nota destoante
"Sinto que não o entendo senhor. Esses não estão à venda."
Mesmo assim, tais palavras tremulantes
me encheram de um prazer pulsante.

A lua reluzente, bastava para o céu
A fumaça, agora, o adornava como um véu
As poças, um espelho cristalino
Refletindo
Uma noite outrora mórbida
Agora tingida de escarlate e rosa
Verde, azul, castanho e cinza
Ora, já tinha todos em minha coleção
Só me faltavam os dourados, que agora dançam em minhas mãos
Verdes são vivazes
Azuis são serenos
Castanhos, de bondade
Cinzentos, de sabedoria
E por fim
Dourados, de astúcia.
Mas esqueceu-se de falar dos meus:
Olhos pretos são de corvos!


É isso! :d: 

Definitivamente não é a melhor coisa do mundo, especialmente pelo tamanho:talk2hand:, mas espero ter conseguido passar a ideia da história que eu tive :star:(se não tiver ficado muito claro eu posso fazer outro post explicando meu processo de pensamento quando escrevi!:wink::postwhore:)


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